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Ouça set histórico de Renato Lopes gravado em 93 no Sra. Krawitz

quinta-feira, fevereiro 21st, 2013

Renato Lopes, em 1993, aos 30 anos, tocando muito Suggar Daddy, do Secret Knowledge, e Lonely People, do Lil Loouis

Se hoje todo mundo é um pouco DJ no Brasil, o paulista de Registro Renato Lopes tem uma boa parcela de culpa nisso. Ele começou tocando no mítico Madame Satã, em 1986, ao lado de outro mestre, Marquinhos MS, na época fazendo uma mistura de rock inglês e technopop. Antes, porém, foi segundinho (DJ assistente) na Val Shows, casa de travestis no centro de São Paulo.

Depois do Satã, Renato foi pra outro clube que fez história em São Paulo, o Nation, que funcionou numa galeria da rua Augusta entre 1988 e 1992. Foi lá que nasceu o que veio a se chamar cultura clubber, com todos os seus ícones: montação, gírias, as primeiras pastilhas de ecstasy, o culto ao DJ, os flyers. Seu parceiro na empreitada era Mauro Borges.

Daí veio outro capítulo importantíssimo na história da noite de São Paulo e também na carreira de Renato: o clube Sra. Krawitz. Ao lado de Mau Mau, também residente, Renato Lopes aprofundou-se no capítulo música eletrônica, mostrando a um público ávido por novidades difíceis de serem encontradas numa era sem internet novidades trazidas dos EUA e da Inglaterra.

Assim, a galera underground de São Paulo ficou conhecendo house, progressivo, trance, breakbeat, trip hop, um pouco de tudo, como bem define o DJ. “O André Matalon foi um dos grandes fornecedores. Também tinha a loja do Gregão, que era na Vila Mariana. Foi uma fase incrivel, vertiginosamente”, lembra Renato Lopes.
Os sets no Krawitz, que tinha o impagável Nenê como promoter, entraram para a história de quem saía para dançar em São Paulo nos anos 90 buscando boa música, gente interessante e jogação.

Corta para 2013. Eis que o próprio Renato Lopes vem alegrar nossa vida postando um set gravado no Sra. Krawitz, em 1993.

Ei-lo, jovens. Dá um tempo no Harlem Shake para ouvir essa deliciosa preciosidade.

É só clicar

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A música eletrônica (ainda) dá o que falar

segunda-feira, maio 16th, 2011

O mineirin Anderson Noise, que acaba de lançar "Machines Must Die", com remix de Mau Mau

Quando escrevi minha coluna que foi publicada em 2 de abril aqui neste espaço A Música Eletrônica Cresceu Demais?, não tinha ideia da celeuma que estava prestes a causar. Deixa eu contextualizar para quem não leu: resumidamente, eu falava da invasão da música pop (lady gagas, etc.) no som dos clubes noturnos, coisa que eu nunca tinha visto antes – e olha que eu saio à noite desde os 13 anos!

Entrevistei dois empresários da noite (Facundo Guerra, do Volt, Z Carniceria, Vegas e Lions, e Renato Ratier, dono do D-Edge), com opiniões totalmente antagônicas. Pronto, o barraco estava armado.

A ideia não era causar tanto quiproquó, mas você sabe como notícia ganha vida extra nas redes sociais, turbinada por comentários – e quanto mais tórrido e corajoso o comentário, mais anônimo seu autor, infelizmente…

Como se diz em internetês, fui “trollada” (alvo de agressivos comentários anônimos) e também apoiada de muitas maneiras. Mas no final das contas eu só queria desabafar um assunto que há tempos me fazia pensar.

O lado bom de tudo isso é que muita gente parou para analisar a situação – tá pensando que noite e música eletrônica são bagunça, não são, não! Tanto é que a coluna Ouvido Absoluto serviu de inspiração para um encontro no festival de cultura de internet YouPix, realizado em abril. O debate, devidamente registrado no Caderno 2, pelo editor do Link, Alexandre Matias, botou na mesa questões interessantes, como a importância do DJ na era da internet e o fato de a noite ter virado uma extensão das redes sociais.

Ainda repercutindo o encontro, meu colega do portal Virgula e amigo de outros carnavais Camilo Rocha postou em seu ótimo blog Bate-Estaca que hoje os “DJs “profissionais” não têm mais o monopólio da novidade e dos recursos para montar e executar uma seleção de músicas (culpa, respectivamente, da internet e das novas tecnologias de software e hardware). Ao mesmo tempo, conseguir mobilizar uma galera para ir numa festa via Facebook passou a ser quesito valioso. E ter o playlist certo para ferver seus amigos na pista também, tipo festinha em casa. Acabam caindo no óbvio. Representam meio que uma volta ao tempo em que o DJ era meio jukebox.”

Muita gente interpretou o que escrevi como se eu estivesse detonando a música pop. Nada disso. Eu acho que o pop está aí pra cumprir a sua função na Terra, que é de entreter e agradar ao maior número de pessoas possível. E quando uma música cumpre a função para a qual ela foi criada, sou a primeira a reconhecer que ela é, então, uma boa música. Em nenhum momento fiz um juízo de valores ou disse que Lady Gaga é ruim. Só não me chame pra dançar esse tipo de som à noite, porque não vou mesmo.

E teve boatos de que a música eletrônica estava na pior. Se isso é estar na pior, o que quer dizer estar bem, né? Fico feliz de ter, de alguma forma, gerado tamanha discussão, ter botado tanta gente bacana para pensar e falar.

MAU MAU E ANDERSON NOISE

Dois dos grandes DJs da música eletrônica nacional, o paulistano Mau Mau e o mineiro Anderson Noise, se encontram pela primeira vez numa faixa. Mau foi convidado pelo mineiro para remixar uma das músicas de seu novo disco, Machines Must Die, que tem lançamento mundial nas lojas digitais marcado para 1.º de junho.

O remix de Mau Mau está disponível a partir de hoje na loja online Beatport, gigante da internet na venda de faixas focadas para DJs e amantes da música de pista.

Esta é a primeira vez que os dois se encontram numa produção, mas a dupla já dividiu palco no encerramento do saudoso festival Skol Beats, em 2006.

Ainda sobre a dupla, ontem entrou no ar um especial na Rádio Noise com o DJ Mau Mau. Dá pra ouvir entrando no site do mineiro (www2.uol.com.br/noise/home.htm), um dos primeiros DJs brasileiros a investir em programação de rádio e vídeos online.

Enquanto o disco de Noise está prestes a bater nas lojas digitais, Mau Mau prepara um novo álbum, sucessor de Music Is My Life (2003) e Art, Plugs and Soul (2007), para setembro deste ano.

Texto originalmente publicado no Caderno 2 + Música (Estadão) de 14 de maio de 2011

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A música eletrônica cresceu demais?

segunda-feira, abril 4th, 2011

Lady Gaga enroladinha na bandeira do Brasil - por aqui, ela virou som de boate

A música eletrônica virou o que tenho chamado de um gigante desengonçado. Se por um lado cresceu, virou pop, ganhou espaço e público para lotar estádios de futebol cantando hits como I Gotta Feeling, na outra ponta, perdeu uma de suas principais características, que sempre foi inovar. Pronto, falei.

É só ligar o rádio pra ouvir referências que 10, 15 anos atrás eram novidade na pista de dança entalhadas em músicas de consumo rápido: Lady Gaga, Britney Spears, Rihanna, os rappers Akon, Chris Brown, Taio Cruz, Usher, o ex-underground e hoje superpop Black Eyed Peas; todo mundo usando timbres que já fizeram a cabeça de clubbers no final dos anos 90.

Nunca as “mais mais” das paradas de sucesso foram tão dançantes. Bom para a música eletrônica? Em termos. Em São Paulo, vemos clubes tradicionalmente do “underground” tendo que abrir as pernas para tocar música de rádio. DJs de renome e com anos de estrada estão cada vez menos nos line-ups. Festas com famosos tocando ou então promoters que se metem no som, botando seus iPods pra tocar música pop, estão cada dia mais em alta.

Pode soar como conversa de saudosista, mas tenho saudade de ver as pessoas saindo de casa para dançar levando a música em alta consideração. Hoje o que eu tenho notado é que a música, o DJ, funciona meramente como figuração.

Facundo Guerra, 37 anos, sócio dos clubes Lions e Vegas e dos bares Z Carniceria e Volt, todos na região central de São Paulo, embasa a minha tese.

“Primeiro fato: o pop se apropriou da música eletrônica. Enquanto a nossa geração demorou dez anos pra conseguir distinguir house de techno, a geração que está começando a sair vem sendo educada pela música pop. E hoje o pop tem cara de música eletrônica mainstream”, raciocina. Ele lembra que desde a moda da new disco nada de novo apareceu na música eletrônica (“não dá pra considerar o dubstep, que é muito pequeno no Brasil”).

“Hoje, se você não coloca música pop na pista de dança as pessoas vão embora. No Lions eu vi uma cena que me chocou: o Mau Mau, que é um DJ que todos nós amamos, entrou no som depois do Roque Castro, que fez um set extremamente pop. Sabe o que aconteceu? O Mau Mau esvaziou a pista, coisa que eu nunca tinha visto na minha vida!”, conta.

Como empresário da noite, Facundo está desiludido: “Não penso mais em trazer gringo. Já conversei com vários donos de clube que pensam da mesma forma. A não ser que você traga o Tiësto ou o Deep Dish, trazer DJ gringo só vai aumentar seu custo, não traz mais público”, escancara.

O empresário vai mais fundo na crítica: “A gente está vivendo uma crise na música. A grande questão é a educação musical do público que sai à noite. Mesmo o público gay mais jovem, que sempre foi atrás das tendências, hoje ouve Beyoncé e Lady Gaga. A consequência você sente quando sai. Como os clubes estão disputando o público, ficam com medo de arriscar. Daí entram num ciclo de chamar DJs de pop. Os clubes já não são mais templos de música. São extensões das redes sociais, ponto de encontro. O cara vai na boate pra encontrar aquela menina que ele cutucou no Facebook. A música virou trilha de fundo”, conclui Facundo Guerra.

Há quem não veja a coisa assim. É o caso do DJ Renato Ratier, proprietário do D-Edge, clube em São Paulo que concluiu uma grande reforma no final do ano passado, ampliando sua capacidade de 400 para 950 pessoas.

“Claro que tem muito clube tocando Lady Gaga para sobreviver. Mas no D-Edge não mudamos o conceito musical, continuamos fiéis à música eletrônica. E mesmo assim sempre vejo gente nova chegando”, diz Ratier. “Muita gente critica o D-Edge dizendo que depois da reforma houve uma invasão de um público mais playboy. Mas se o playboy está frequentando e ouvindo música boa, vejo isso com bons olhos. Acho que tem muita coisa pra ser feita, mas não vejo a noite de um jeito pessimista”, diz Renato Ratier.

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Se no reino da música eletrônica mainstream há algo de podre, sempre se encontra vida no underground. Minha dica para quem gosta de fuçar é mergulhar nas novidades do netlabel (selo virtual que distribui música gratuitamente) brasileiro Tranzmitter.

Criado em 2007, o selo já lançou quase 200 faixas distribuídas em EPs, álbuns e compilações. O lançamento mais recente está especialmente bom, é a coletânea Tranzmitter Compilation (Volume 3), que tem novatos extremamente legais, como a dupla Monsters At Work, Richard Savani e L_cio ao lado de veteranos, como o DJ Mimi. Corre lá pra pegar, não precisa esconder de ninguém porque é tudo licenciado pelo Creative Commons, ou seja, tudo dentro da lei: www.tranzmitternetlabel.com

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Dia 7 de abril estreio na Oi FM meu programa Discologia, tocando um mix de coisas do baú e novidades da música eletrônica. Será sempre às quintas, das 23 h à 1 h. Passa lá!

texto originalmente publicado no Estadão, Caderno 2 + Música de 2 de abril

CLAUDIA ASSEF, 36, É AUTORA DO LIVRO E BLOG TODO DJ JÁ SAMBOU E DIRETORA DE CONTEÚDO DO PORTAL VIRGULA

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