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Kraftwerk deu sono, mas Sónar retornou com elegância a SP

quarta-feira, maio 16th, 2012

Talvez a melhor coisa do Sónar seja ver gente interessada em música na pista

Com o Parque Anhembi extremamente bem utilizado, o Sónar São Paulo atraiu cerca de 30 mil pessoas somando os públicos de sexta (11/5) e sábado (12/5), mostrando que nem só atrás de mega estrelas da música pop vive o público da cidade.

Criado em Barcelona em 1994, o Sónar cresceu muito e hoje chega a atrair cerca de 80 mil pessoas em sua cidade natal, mas tanto lá quanto nas outras cidades em que acontece (Londres, Tóquio, São Paulo etc), a ideia é manter o foco naquilo que a direção do evento chama de “música avançada”, ou seja, música eletrônica, hip hop, indie e música experimental de qualidade.

Mesmo com o cancelamento de sua principal artista, a cantora Björk, a edição paulistana do festival não chegou a sentir uma baixa forte de público, já que o esperado volume de 15 a 20 mil pessoas por noite chegou perto de se concretizar.

Se acertou na escolha do lugar (é incrível como São Paulo é carente de bons lugares para eventos grandes e médios), nem sempre o line-up funcionou na prática.

It's more fun to compute, mas cadê a animação? foto: Divulgação/Image.net

Tudo bem que ninguém esperava ver fãs com pôsteres na mão se descabelando nem sutiãs jogados ao palco do show do quarteto alemão Kraftwerk, grande atração da sexta-feira. Mas até para fãs da velha-guarda como eu – um dos primeiros discos da minha coleção é “Computer World” (1981), comprado no Mappin, com os dizeres na capa “contém o tema da novela Brilhante” – o show foi tedioso.

Acredito que boa parte do público que lotou pela metade a gigantesca arena do palco SónarClub também tenha um enorme carinho pelo grupo de robôs que entregou a música eletrônica moderna ao mundo. E ainda tinha o fato de o show ser em 3D, uma firula a mais para despertar a curiosidade do público. E mais: o Kraftwerk vinha de oito shows lotados no MoMA de Nova York, única testemunha até então das apresentações em três dimensões dos alemães antes do show no Brasil.

O problema é que a enorme arena não segurou a onda de ficar assistindo a um show frio daqueles, usando óclinhos 3D descartáveis. As projeções também não ajudaram, eram aquelas clássicas paradonas do Kraft, só que com um efeitinho 3D que até o gibi da Mônica já usou.

Claro que foi uma jogada de mestre trazer o Kraftwerk para cobrir a ausência da estrela Björk. Mesmo o show da islandesa, bem cabeçudo em vários momentos, tenho minhas dúvidas se funcionaria num espaço tão grande, com pé direito tão alto, mas enfim…

A verdade é que, fora alguns mais quimicamente empolgados, o público logo dispersou do Kraftwerk. Culpar o grupo dizendo que eles sempre tocaram assim é sacanagem. Quem estava no Free Jazz Festival (me escolhe!) de 1998 vai poder dizer o quanto o Kraftwerk pode ser quente. Mas vamos adiante que o papo aqui é o Sónar como um todo.

Não existe amor em SP, mas existe Criolo!

Quem saiu do Kraftwerk tinha a opção de ver um dos artistas mais bombados do Brasil (não no “Faustão”, neam), o rapper Criolo, que fez o público cantar junto hits como “Não Existe Amor em SP” e uma versão de “Cálice”, do Chico Buarque. Ele não podia não estar no Sónar.
Mãe de duas bebês que sou, perdi dois shows que queria muito ver e que ouvi dizer terem sido muito bons: o do americano James Pants e o DJ set do inglês James Blake – este tocou supercedo, às 21h30.

Foi difícil conseguir entrar pra ver o show do Little Dragon, mas valeu

Deu tempo de ver o grupo sueco Little Dragon no “Pudim” (foi muito legal ver novamente o auditório Elis Regina servindo ao público da música underground). Bem bacana.

No palcão Club a noite ainda teria Chromeo, que eu achei barulhento demais, e o inglês Skream, que me deu medo pela bipolaridade, ia de bem legal a pavoroso em segundos. O palco fechou com uma apresentação eficiente do brasileiro Gui Boratto.

Oi, Skream, tocar Nirvana até eu, né!

Talvez eu tenha perdido a melhor apresentação da noite – pelo menos foi o que eu ouvi nos corredores -, a do americano misterioso Doom, que tocou no mesmo horário do Kraftwerk e Criolo.
Sexta-feira fui pra casa com a sensação de que tinha ido a uma puta festa legal, só que com uns momentos meio malas no som.

SABADÃO UNDERGROUND

O Four Tet é inglês mas, como disse uma amiga, parece capixaba!

Sábado já prometia um leque de atrações bem mais interessante. Por causa da função com as filhotas, perdi coisas que eu queria muito ter visto, como o live da dupla Tiger & Woods e a apresentação do alemão Alva Noto com o japonês Ryuichi Sakamoto no “Pudim”. Menos mal que já tinha visto o Sakamoto com o Pan Sonic na abertura do Sónar 2004 em Barcelona.

Dor no coração de também não conseguir ver Flying Lotus e Munchi, mas preguiça total de assistir o show da dupla Justice. Depois de um soninho reparador, chegamos direto para a apresentação do inglês Four Tet e, uau, que tapa bom na orelha!

Experimental, mas dançante. Cabeçudo, mas acessível. Extremamente bonito, mas nunca fácil. Como é bom esse Kieran Hebden! No começo da apresentação, o SónarVillage estava vazio a ponto de se conseguir assistir bem da grade, mas, lá pela metade do show, o som do Four Tet já havia atraído uma multidão, que dançava, batia palmas e até gritava nomes de músicas, como “She Moves She”, hit do inglês. Ah, o Four Tet já havia tocado no Sónar São Paulo de 2004.

O mais legal de estar ali era olhar para o lado e ver gente realmente interessada na música, dançando com vontade, de olhos fechados. Nada de meninos desfilando com baby champanhe na mão nem meninas dando cabeladas fatais no ar. Definitivamente não foi um sabadão à noite dos mais típicos.

Seth Troxler: bom gosto e animação pra tocar

Conforme as horas iam passando, senti aquela quase tristeza de estar perdendo coisas boas enquanto assistia a outras extremamente interessantes, como o set do americano Seth Troxler, simplesmente incrível. Por causa dele, não fui ver os alemães do Modeselektor (que, dizem, tocou uma “technera”), o espanhol John Talabot nem o veterano inglês Squarepusher, que segundo vários relatos fez um showzaço no “Pudim”.
Terminei a noite vendo de longe a lenda Jeff Mills fazendo um set totalmente anos 90, minimalista e nem aí pra tendências. Com os pés cansados e um almoço de Dia das Mães a poucas horas dali, resolvi tirar o plugue da tomada antes que fosse tarde demais. Obrigada, Sónar, e até 2013.

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De Jeff Mills a Air, segundo semestre de 2010 promete

terça-feira, agosto 10th, 2010

Jean Benoit Dunckel e Nicolas Godin, do Air, atração do Natura

Enquanto os festivais SWU e Planeta Terra batalham pela atenção – e pela grana – do público mais ligado em rock, os fãs de música eletrônica que quiserem ver atrações bombásticas no Brasil neste segundo semestre devem ficar é de olho na programação de clubes e raves.

Quem tem saudade do Skol Beats e de outros megaeventos eletrônicos  que sumiram do calendário brasileiro agora deve prestar atenção à grandes baladas a céu aberto. As raves de hoje se profissionalizaram e passaram a investir numa diversidade enorme de artistas em seus line-ups. Dois bons exemplos são a Tribaltech, que rola em 21 de agosto, e a XXXperience, marcada para 14 de novembro. Ambas vão transformar a Fazenda Maeda, em Itu (também local do eclético SWU), em festivais de música eletrônica com espaço para várias tendências.

Rave que virou festival, a Kaballah está marcada para 25 de setembro e vai levar à fazenda Cana Verde, também em Itu, a banda canadense de rock eletrônico Crystal Castles, que eu adoro, além de outros nomes legais, como a dupla Pig & Dan (da Inglaterra), Timo Maas (Alemanha) e Claude Vonstroke (EUA).

Entre os festivais que vêm por aí, deve rolar replay do Smirnoff Experience, que ano passado trouxe os ótimos James Murphy & Pat Mahoney, John Tejada, Yatch e Derrick Carter.

Enquanto o pessoal da vodca não confirma nada, um novo evento, o Fourfest, já anunciou um nome de peso: vai trazer um dos melhores projetos que fundem música eletrônica e rock do planeta, o Caribou.

Tocado pelo canadense Daniel Snaith, o Caribou lançou este ano Swim, um disco lindo e de personalidade forte. Apenas o show de Snaith já valeria o ingresso (de R$ 70 a R$ 120), mas a organização deve confirmar outra atração internacional em breve. O Fourfest ocorre dia 27 de outubro, no Clash Club, em São Paulo.

Ainda entre os festivais, vale o ingresso o Natura Nós About Us, que vai trazer, finalmente, a dupla francesa Air ao Brasil.

Desde que Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel se juntaram para fazer música, em 1995, não há playlist sofisticado de música eletrônica sem o Air. O Natura Nós ocupará, dias 16 e 17 de outubro, a Chácara do Jóquei, em São Paulo, e ainda tem no cardápio Snow Patrol, Jamiroquai, Céu e Bajofondo.

No escurinho dos clubes. Se você não está nem um pouco a fim de enfrentar as multidões dos grandes eventos, mas faz questão de dar aos seus ouvidos um pouco de discotecagem gringa, os clubes de São Paulo não vão deixá-lo na mão neste segundo semestre.

A maratona de boas atrações começa hoje, com o set do incrível Dimitri From Paris na Pink Elephant. Nunca fui ao clube para poder recomendar, mas já vi Dimitri tocar algumas vezes e posso dizer que vale muito a pena. é um mestre na arte de misturar velharias e timbres bem festivos de house.

Ao longo de seus sete anos de São Paulo, o D-Edge já trouxe quase todos os nomes mais importantes do mundo eletrônico pra cá, além de ter figurado em revistas como um dos clubes mais bacanas do planeta. Nos próximos meses, quem gosta de batidas eletrônicas de qualidade deverá ser atraído pela casa noturna da Barra Funda, que promete abrir nova área, após longa reforma. Eu mesma não vou perder a apresentação de Jeff Mills (17 de setembro), um dos nomes mais importantes e históricos do techno mundial.

Além dele, o D-Edge tem na programação Green Velvet (27/8), Derrick Carter (20/8) e Henrik Schwarz (26/11), entre uma lista enorme de gringos. Já no novato Lions, que abriu em fevereiro, o destaque é a apresentação da dupla Optimo, em 10 de setembro. Na Bela Vista, o Hot Hot comemora um ano de vida com os ótimos Sascha Funke (27/8), da Alemanha, o belga Aeroplane (9/10), e a bombástica Faze Action (16/10), banda de disco music formada pelos irmãos ingleses Simon e Robin Lee.

Ou seja, tão cedo não vai faltar desculpa boa para sair de casa.

CLAUDIA ASSEF é AUTORA DO LIVRO E DO BLOG TODO DJ Já SAMBOU

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Jeff Mills lança híbrido de CD e vinil

terça-feira, junho 22nd, 2010

Capa do disco The Occurrence, do aka The Sleeper Wakers, do americano Jeff Mills

Além da habitual boa música, desta vez o DJ e produtor americano Jeff Mills vem com outra novidade: seu novo disco, The Occurrence, é um híbrido de CD e vinil de 5 polegadas. De um lado, você coloca no CD player, e ele toca. É só virar do outro lado para ouvir a faixa que vem gravada no formato vinil.

Deste lado, você ouve o CD...

... deste, você escuta o som gravado em vinil 5''

Lançado pelo codinome Sleeper Wakes (nome inspirado num livro de H.G. Wells), o projeto mostra um Jeff Mills mais ligado à ficção científica. Em The Occurrence, Mills consegue mais uma vez personificar sua conexão com sons do espaço. Porque se tem alguém que sabe como é a música além deste mundo, este cara é o Jeff Mills.

Primeiro híbrido de CD e vinil de que se tem notícia, o lançamento serve muito mais como item de colecionador do que um produto que chegou para revolucionar o minguante mercado fonográfico. The Occurrence chega às lojas pelo triplo do preço médio de um CD normal, cerca de 30 libras (R$ 80), nos sites ingleses. Em edição limitada, importada do Japão, o disco é desses que fazem estourar o cartão de crédito de qualquer louco por techno. Eu já encomendei o meu neste site.

Para quem gosta de techno, especialmente o techno de Detroit, Jeff Mills é Deus. Ele é um dos DJs/produtores mais importantes do gênero e sempre dá um jeito de se reinventar. Mills foi DJ num dos programas de rádio mais importantes da história do techno, o Electrifying Mojo,  uma importante fonte de informação musical underground dos anos 80, que botava lado a lado Kraftwerk, Prince e B 52′s. Jeff Mills já tocou com orquestra, em apresentação registrada no incrível DVD Blue Potential, já se exibiu, munido de toca-discos, em vitrine de loja (em performance gravada no DVD The Exhibitionist) e fez apresentação cabeçuda emulando o som de Saturno em pleno festival Sónar (em 2008). Sempre defendendo o techno roots, Mills foi um dos maiores divulgadores do Underground Resistance, coletivo fundamental para a difusão do som de Detroit.

Ouça trechos de The Occurrence aqui.

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