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Projeto convida público a gravar música com Gui Boratto

sexta-feira, julho 13th, 2012

Gui Boratto em ação no palco do Coachella, nos EUA

Para quem gosta de música eletrônica, Gui Boratto dispensa apresentações, certo? Mas, OK, se você caiu aqui e ainda não sabe quem ele é, resumindo, Gui Boratto é hoje o nome mais quente da nova música brasileira no mundo dos festivais internacionais e mega clubes do mundo todo. Já não se encaixa mais apenas no filão de “nome mais festejado do techno”, porque Gui há tempos pulou a essa cerca e hoje se apresenta em line-ups estrelados, ao lado de grandes bandas e artistas pop. Gui é o cara.

Dito isso, parece no mínimo interessante a oportunidade que se abre a partir de hoje (13/07) e vai até domingo (15/07): participar da criação coletiva de uma música ao lado dele. É essa a ideia do Smirnoff Music Mob, evento gratuito que convida as pessoas a produzir sons com instrumentos disponibilizados em duas estações musicais: uma no Kinoplex Itaim e outra no Parque do Povo.

Ou seja, você vai lá, toca guitarra, bateria, baixo, o diabo. Seu som será gravado e depois enviado, junto com gravações de outras pessoas, para as mãos habilidosas do Gui. A partir dessa matéria-prima, o produtor transformará aquele som que você produziu em música eletrônica em forma de áudio e também de vídeo.

As estações musicais estarão abertas ao público de hoje até domingo, das 8h às 18h. A experiência é totalmente gratuita, mas precisa ser maior de idade para participar. Então que tal participar da criação do que, vai saber, poderá virar um hit das pistas. Bora lá.

Dia: 13 de julho
Kinoplex Itaim
Rua Joaquim Floriano, 466 – Itaim Bibi.
Horário: das 8h às 18h

Dias: 14 e 15 de julho
Parque do Povo – Avenida Henrique Chamma, 420- Cidade Jardim.
Horário: das 8h às 18h

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Bomb The Bass fala do novo CD e da parceria com brasileiros

segunda-feira, março 29th, 2010

Tim Simenon trocou as pick-ups por laptops

Talvez ele nem saiba, mas no Brasil o projeto eletrônico Bomb The Bass foi um dos grandes responsáveis pela iniciação de muita gente na música eletrônica. Quando lançou o single Beat Dis, em 1987, com seus 72 samples diferentes, o inglês Tim Simenon podia imaginar tudo, menos que sua música viraria trilha de abertura de um programa de videoclipes no país do futebol.

A capa do single Beat Dis foi inspirada pelo HQ Watchmen

Beat Dis virou um hino das pistas de dança, preparando terreno para Into The Dragon, um álbum que tornou-se ícone de 1988, um ano especialmente importante para a música eletrônica, com a explosão das raves e a acid house estourando na Europa.

A capa do disco de estreia do BTB, Into The Dragon

Muita água passou por baixo dos sintetizadores e samplers de Tim Simenon em seus 42 anos de vida – 22 deles como DJ e produtor de música eletrônica. Além de ajudar a revolucionar a dance music, Simenon já se meteu com trip hop, ajudou a criar as fundações do big beat e produziu trocentos artistas, de Neneh Cherry a Depeche Mode.

Back to Light é o segundo álbum do Bomb The Bass em dois anos

Em março deste ano, o importante selo alemão !K7 lançou seu novo trabalho, Back To Light, que tem participações de três brasileiros fazendo remixes: Gui Boratto, Anderson Noise e DJ Marky. A aproximação do Brasil com Tim Simenon pode ter começado na vinheta do programa Clip Trip, mas em carne e osso ele veio ao país pela primeira em 2008, para tocar no festival Nokia Trends. Acabou passando duas semanas em São Paulo, trabalhando num estúdio com Gui Boratto esboços do que viria a ser o álbum Back to Light.

Música eletrônica no semanário dos roqueiros! Trabalho do Tim!

Antes de ler a entrevista exclusiva que o Todo DJ Já Sambou fez com o inglês, dá só uma olhada no videoclipe da belíssima Up The Montain, que tem participação do The Battle Of Land & Sea, projeto de folk da americana Sarah O’Shura Golden.

TODO DJ JÁ SAMBOU – Este disco tem participações bem ecléticas. Como você escolheu os artistas para participar de Back to Light?
TIM SIMENON – Sempre escolho os vocalistas simplesmente por ser fã do trabalho deles. O Paul Conboy é meu amigo de muito tempo, e também parceiro do Bomb The Bass de outros trabalhos. Já o produtor Kelley Polar eu conheci através da faixa Chrysanthemum, em que ele aparece cantando. O DJ e produtor Richard Davis conheci por causa do trabalho que ele fez com o Swayzak, e o The Battle Of Land & Sea foi apresentado a mim por um amigo meu de Amsterdam.

TODO DJ JÁ SAMBOU – E como você chegou aos brasileiros Gui Boratto e Anderson Noise?

TIM SIMENON – Conheci o Anderson em dezembro de 2008, durante as duas semanas que passei em São Paulo, período em que eu já estava gravando com o Gui Boratto algumas ideias para Back To Light. Depois de ouvir algumas produções do Anderson pensei que ele poderia fazer algo interessante com a faixa Boy/Girl. Quando mandei pro Gui a demo da música Up The Mountain com The Battle Of Land & Sea ele amou e já veio com uma idea para remixá-la. E na verdade esse trabalho conta com três brasileiros, já que o DJ Marky também fez uma versão de Up The Mountain!

TODO DJ JÁ SAMBOU – Depois de um período de quase uma década sem lançar disco, este é o seu segundo álbum em um ano e pouco. Você acha que o formato de álbum ainda é importante para o artista?

TIM SIMENON – Com certeza, acho que o álbum ainda é uma ótima maneira de demonstrar em que ponto o artista está em termos de criatividade.

TODO DJ JÁ SAMBOU – No Brasil, uma fábrica voltou a produzir vinis, então há uma discussão sobre um possível resgate de um pequeno mercado. O que você acha disso?

TIM SIMENON – Sou super defensor e entusiasta do vinil, mas devo admitir que tenho ouvido cada vez mais música digitalizada. Isso também se aplica à música que eu compro, normalmente em lojas online, como Bleep, Boomkat e iTunes.

TODO DJ JÁ SAMBOU – Depois de tantos anos fazendo música eletrônica, o que te faz renovar o espírito criativo?
TIM SIMENON – Sem dúvida, busco inspiração na música de artistas que acho interessantes.

TODO DJ JÁ SAMBOU – Entre esses artistas estão nomes como John Tejada, Extrawelt, por exemplo, que você também convidou para fazer remixes do novo álbum?

TIM SIMENON – Exatamente. São caras de uma geração que eu admiro muito e tenho muito orgulho que tenham topado trabalhar comigo neste novo projeto.

TODO DJ JÁ SAMBOU – Quando a música eletrônica chegou forte, no final dos 80, parecia que ela seria a salvação da lavoura para sairmos do marasmo. Qual é a sua perspectiva agora?
TIM SIMENON – Ainda acredito que toda forma de música nova, em evolução nos formatos mais interessantes, continua pertencendo ao universo da música eletrônica!

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Gui Boratto se firma como remixer pop

quinta-feira, março 11th, 2010

Gui durante apresentação no megafestival Coachella, em abril de 2009

Que Gui Boratto é “o” nome da música eletrônica nacional, todo mundo sabe. Não tem um line-up de festa grande ou festival que não inclua o seu nome. E não é só no Brasil, o paulistano agora vive de malas prontas – semana passada voltou de uma turnê pela Austrália, por exemplo.

Agora que ele virou de vez a cara brasileira da música eletrônica aqui e no mundo, seus remixes também andam cada vez mais bombásticos. Na lista de artistas grandes que ele remixou tem de Pet Shop Boys a Massive Attack e Bomb The Bass. O Todo DJ Já Sambou foi atrás dele pra saber como é ser um cara tão requisitado pelo pelotão de elite da música. Entre as pérolas da entrevista, ele conta que quase desistiu de remixar o astro pop Robbie Williams e fala da extenuante agenda de trabalho. “E tem gente que acha que minha vida é só glamour!”, desabafa.

TODO DJ JÁ SAMBOU – Você virou um remixer mega requisistado. Quais foram os artistas que mais deram frio na barriga de remixar?

GUI BORATTO – Frio na verdade nenhum. Teve é muita excitação. Foi bem bacana obter a session do [software de composição] Protools dos Pet Shop Boys e poder ouvir os “takes” do Neil Tennant. Inclusive os takes errados, com ele rindo nos finais e tal…
O Massive Attack também foi demais. Escuto esses caras há quase 20 anos. Foi na época que comecei a programar umas coisinha e tal. Mas no fundo o que pega mais é a música em si. Independentemente do artista, do nome. Olho sempre primeiro a música original e suas possibilidades de resultar em um bom remix.

TODO DJ JÁ SAMBOU – Como você é abordado pra fazer esses remixes?

GUI BORATTO – Varia muito. Alguns foi direto mesmo, como foi o caso do Bomb The Bass. Ou pelo departamento artístico de gravadoras, como foi o caso de PSB e Massive Attack.

TODO DJ JÁ SAMBOU – Você se tornou a cara da música eletrônica feita no Brasil. Como se sente?

GUI BORATTO – Jura? Acho que a “culpa” não é só minha não. O Marky abriu mil portas. O Patife e outros caras. Mas eu fico feliz em ter uma parcela de responsabilidade em divulgar o que podemos fazer aqui no Brasil. Afinal de contas, sou um dos poucos produtores dessa época que ainda mora no seu país de origem. Diferente de caras como Villalobos, Luciano, CSS, Pet Duo, Dubfire, Hawtin, Aguayo, enfim. Acho que metade do mundo está morando em Berlin, Barcelona, sei lá onde.

TODO DJ JÁ SAMBOU – Como é remixar um artista pop como o Robbie Williams?

GUI BORATTO – Ah, na verdade eu quase desisti, pois o original era muito rápido pra virar house/techno, e o vocal era muito complexo, cheio de estrofes, partes diferentes, bridges, além de dezenas de backing vocals etc. Aí a única saída foi picotar literalmente sílaba por sílaba e construir um ritmo novo para as estrofes. Na verdade foi até um desafio. No meio do processo eu já estava adorando tudo aquilo, gravei até baixo e guitarra. Ficou uma levada meio disco, com claps e tal. Amei. A gravadora adorou. Foi legal.

TODO DJ JÁ SAMBOU – Como foi a experiência de trabalhar com o Massive Attack, que é tipo um mito da música eletrônica?

GUI BORATTO – O Massive já foi mais punk. A responsabilidade de trabalhar num som deles é grande. Essas bandas são delicadas de se trabalhar. Por exemplo, acho um sacrilégio, de tudo que fizeram do Depeche. As pessoas são muito loucas, não respeitam a harmonia, destroem literalmente a canção. Sim, porque são canções e não um som qualquer de uma nota só. Isso rolou com o Massive. Na verdade quando eles me mandaram o arquivo da original, estava torcendo para que fosse um daqueles sons deles com vocal feminino, tipo Teardrop ou Unfinished Simpathy.

Não queria trabalhar num vocal rap, típico deles. Não deu outra, veio o vocal maravilhoso da Hope Sandoval. Aliás, fiquei surpreso deles terem chamado ela. Sempre amei Mazzy Star. Outra coisa
que fluiu bem foi que os próprios Rob e Grant não curtem muito techno e house. Fiquei feliz quando eles mesmos me mandaram um email dizendo que estavam muito felizes pelo que eu havia feito com o som deles. O resultado final foi aquele som obscuro e suave ao mesmo tempo, com o contraste da linha de baixo e guitarra tremolo que eu fiz com a doçura da Hope. Na minha opininão, foi um dos melhores remixes que já fiz na vida.

TODO DJ JÁ SAMBOU – Como tem sido a sua rotina de viagens?
GUI BORATTO – Ah, Clau, aquela correria de sempre. Só neste ano eu já fiz uma tour de inverno na Europa no fim de janeiro. Tive o carnaval aqui e emendei com Austrália. Cheguei semana passada. Início de abril tenho EUA. Em maio tenho Ásia e Europa e em junho fico na Europa por dois meses por causa dos festivais de verão. Sem contar que entre turnês, eu toco muito no Brasil, basicamente quinta, sexta e sábado. No meio da semana eu faço minhas músicas novas, remixes e tal. E ainda tenho que arrumar tempo pra minha mulher e minha filhinha de 5 anos, que é o mais importante disso tudo. É mole ou quer mais? E tem gente que acha que minha vida é só glamour ;-)

TODO DJ JÁ SAMBOU – Passando tanto tempo fora do país, como vc enxerga o cenário brasileiro, com essa febre de DJs celebridades?
GUI BORATTO – Isso de DJ celebridade não existe. Aliás, existe, sim, só no Brasil. Acho bobagem, perda de tempo. O brasileiro é carente demais. Acho até bonitinho, mas, peraí, pagar pra entrar num clube, só pra ver de perto um artista? Acho muita tietagem. Na Europa as pessoas vão por causa da música. Nao rola nem assédio com as mulheres, tipo chaveco mesmo. Lá a galera é mais louca e muito mais interessada no conteúdo do som. Mas, em compensação, o Brasil é um dos melhores lugares pra tocar no
mundo. Tem clubes fantásticos e um público único. Hoje o brasileiro está mais maduro. Eu posso tocar o que quiser e sei que que as pessoas vão gostar. Eu fico mais à vontade de experimentar mais.

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