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Por que a disco music nunca vai sair de moda

segunda-feira, março 26th, 2012

A dupla Donna Summer e Giorgio Moroder criou o som eletrônico na disco

Hoje o tema é disco music, essa coroa enxuta que está na casa dos 40 anos (e, como toda coroa, não tem idade muito bem definida) e continua ditando moda. Não fosse pela disco, certamente esta coluna, focada principalmente na música eletrônica e no universo dos DJs, não teria razão de existir. Pois foi a partir desse movimento musical e estético que se criaram conceitos que depois seriam usados para formatar a música eletrônica e o hip hop.

Para quem gosta de dance music (o termo costuma ser usado como sinônimo de música eletrônica farofa, mas quero dizer música pra dançar), conhecer a disco music é obrigatório. Do mesmo jeito que antes de saber fazer uma conta de divisão você precisa aprender a subtrair, não dá pra entrar de cabeça na música eletrônica sem passar pelos anos dourados da disco. Ou sempre ficará faltando uma peça.

Nascida na porção gay, negra e latina de Nova York no final dos anos 60, a disco saltou do underground para todos os cantos do mundo, envelopada de diversas formas, na segunda metade da década de 70. Talvez seu ícone mais conhecido até hoje seja Tony Manero, personagem de John Travolta em “Os Embalos de Sábado”, filme que, em 2012, completa 35 anos. Lançado no final de 1977, o longa virou marco da geração que, pela primeira vez na história, levava o hedonismo para a pista de dança e fazia da discoteca a sua igreja. Retratava na telona o nascimento da cultura de clubes, ou seja, do hábito de sair de casa para dançar, um dos vícios mundanos mais deliciosos já criados pelo ser humano.

Antes que venham à sua mente os hinos mais manjados da disco music, sons que viraram trilha sonora de casamento e povoam compilações trash vendidas em supermercados, é bom que se diga que foi durante esse período que se produziram músicas das mais sofisticadas da história da música pop.

Se Nova York foi o palco de experimentações de DJs pioneiros como David Mancuso e Nicky Siano e suas noitadas exclusivas (The Loft e The Gallery, respectivamente), na Filadélfia foi que se produziram os grandes temas dessa geração. A cidade entrou para a história como a principal produtora de som de qualidade, o tal “Philly Sound”, um som classudo, sofisticado, produzido por orquestras compostas por músicos extraordinários, como a MFSB e a Salsoul Orchestra.

 

A música que foi criada para as pistas suarentas dos anos 70 está mais presente do que nunca no nosso zeitgeist. Não apenas no trabalho de DJs que carregam há anos a bandeira da disco music, como faz muito bem o norueguês Prins Thomas, por exemplo, mas também no som de artistas muito mais pop. De Scissor Sisters a Lady Gaga, passando por David Guetta e Madonna, todos vão buscar na disco music alguma coisa para reciclar.

DISCO MUSIC NA BBC

Para entender melhor como se formou esse movimento, o canal inglês BBC-4 nos presenteou com um documentário simplesmente imperdível. “The Joy of Disco” foi ao ar no Reino Unido no começo deste mês (está disponível no Youtube, dividido em quatro partes) e resume, em seus 60 minutos, como foram fecundadas as sementes dessa cena, focando no período de 1969 a 1979.

Lá estão imagens de arquivo de arrepiar, como as cenas de bacanas dançando no lendário Studio 54, o clube de Steve Rubell que botou em prática pela primeira vez a política de selecionar na porta quem tinha o direito de entrar ou não na discoteca. Também há imagens raras dos frequentadores do Gallery, explicando que ali “todo mundo pode tudo e todo mundo é igual”.

Mas a maior riqueza do documentário da BBC para mim são as entrevistas. Estão lá caras que podem ser considerados os verdadeiros pais da discomusic, como os já citados DJs Nicky Siano e David Mancuso, além do italiano Giorgio Moroder, figura importantíssima na criação da sonoridade mais eletrônica do movimento.

Foi ele quem introduziu sintetizadores no som de Donna Summer, transformando a música “I Feel Love” no primeiro hino eletrônico do mundo – a música funciona bem em qualquer pista de dança até hoje, da festa do peão de Barretos até o clube mais descolado de Berlim. Usando as cordas do “som da Filadélfia” e adicionando batidas e linhas de baixo eletrônicas ao som da diva Donna Summer, Moroder criou uma versão mais europeia da disco music.

“The Joy of Disco” também escancara a malícia por trás de hinos que o Planeta inteiro já dançou achando que eram músicas bobinhas, como o übberhit gay “YMCA”, do Village People. Dificilmente as milhares (ou seriam milhões?) de pessoas que já dançaram essa manjada coreografia com os bracinhos formando letras do alfabeto tenham se dado conta de que a música fala, basicamente, da pegação gay no banheiro da ACM de Nova York.

Outro momento emocionante é quando o baterista Earl Young, da banda MFSB, mostra, tocando, como criou a batida clássica da disco music. Um bumbo aqui, uma caixa ali, um prato acolá e, voilá, fez-se a cadência que mexeu e ainda mexe até o mais enferrujado dos esqueletos.
Como o documentário é inglês, também ficamos sabendo como foi a evolução da disco music na terra da Rainha. Incríveis as cenas de arquivo mostrando jovens fazendo os passos super elaborados da Northern Soul, uma cena musical que assolou o norte da Inglaterra no final dos anos 60, início dos 70, e que esquentou a galera para a chegada da disco music por lá.

Está em “The Joy of Disco” também a improvável história da atriz pornô que virou rainha das pistas, Andrea True (falecida em 2011), que entrou para a história com a literal “More, More, More”. Claro que resumir 10 anos de história em uma hora de documentário não é das tarefas mais fáceis. Muita coisa ficou de fora. Mas se eu pudesse indicar uma maneira de entender a disco music com o melhor custo-benefício de tempo da história recente, seria indicando este “The Joy of Disco”. Vale cada minuto.

The Joy of Disco, parte 1 de 4

 

The Joy of Disco, parte 2 de 4

 

The Joy of Disco, parte 3 de 4

 

The Joy of Disco, parte 4 de 4

 

Este texto foi publicado originalmente no Caderno 2 + Música, do jornal O Estado de S. Paulo, em 17 de março de 2012

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Se o eletrônico morreu? Há controvérsias

segunda-feira, novembro 28th, 2011

Neste 2011 que está para acabar, muito se falou, inclusive neste espaço, sobre o fim da música eletrônica, ou melhor, de sua transmutação para o pop a ponto de afastá-la totalmente de suas raízes.

Imbuída de um espírito investigador, esta coluna foi atrás de entrevistar dois nomes que ajudaram a construir os alicerces da dance music – cada um à sua maneira, ambos com muita popularidade. O primeiro, o DJ Frankie Knuckles, esteve no Brasil durante o festival SWU, e o outro, Liam Howlett, fará por aqui, dia 10/12, show com sua banda, Prodigy. Vamos às conversas.

Um dos criadores da house music, o americano Frankie Knuckles estava lá quando toda essa história de discotecagem e de sair para dançar começou. Ele foi parceiro do finado Larry Levan, considerado por muitos o DJ dos DJs de todos os tempos. Portanto, Knuckles, mais do que ninguém, viu modinhas nascerem e morrerem, novatos virarem estrelas e agora acompanha a tecnologia mudar completamente o jeito de se fazer e consumir música. Por e-mail, ele falou à coluna.

Frankie Knuckles estava lá quando a "bebê" house music nasceu

TECNOLOGIA E DISCOTECAGEM

“Acho que a tecnologia facilitou o serviço para que qualquer pessoa consiga, por exemplo, unir as batidas de duas músicas sem fazer nenhum esforço. Mas uma coisa que ela não te ensina é a habilidade de contar uma história com a música que você toca. Um set sem alma, por mais bem mixado que seja, pode se tornar uma chatice sem fim. Sem as mudanças necessárias, feitas no tempo certo, se torna muito monótono ouvir um DJ, vira um barulho contínuo que ninguém aguenta – a não ser que se esteja doidão, é claro.”

INSPIRAÇÃO NO PASSADO

“É um movimento natural. Há um interesse enorme em torno do som que se fazia no começo da house. A nova geração de DJs e produtores tem buscado inspiração na ‘velha guarda’ para trazer um novo fôlego às produções atuais. Acho saudável.” Entre os nomes da nova geração que ele recomenda ir atrás estão os DJs Dimitri From Paris, o carioca Memê, o inglês Grant Nelson, e as duplas K.O.T. (Kings of Tomorrow) e The Shapeshifters.

SUPERAÇÃO DE LIMITES

Não é exagero dizer que Knuckles teve que se reinventar ao longo da carreira. Em 2008, ele teve um dos pés amputados por conta de complicações relacionadas à diabete: “Tive que me adaptar para continuar tocando, mas agora está tudo certo. Acho que a maior dificuldade foi lidar com a maneira como as pessoas passaram a me ver desde o que aconteceu. Dei duro para retornar o mais perto da normalidade possível sem fazer com que as pessoas em minha volta se sentissem desconfortáveis com minha situação. Mas, acredite, estou bem melhor assim do que estava antes”.

PARA ONDE VAI A MÚSICA ELETRÔNICA?
“Não tenho a menor ideia. Mas só posso esperar que ela melhore. A tecnologia trouxe coisas maravilhosas. Agora, cabe a todos os DJs e produtores que estão fazendo música em seus quartos darem um passo adiante. É preciso criar mais músicas memoráveis”, finalizou. Está dado o toque.

Liam Howlett prefere não ter artistas fake como Britney no dubstep

EFEITO PRODIGY

Não resta dúvida de que o Prodigy tem uma química forte com o Brasil. Basta lembrar o que aconteceu no Skol Beats de 2006, quando o grupo foi o maior responsável por arrastar quase 60 mil pessoas ao evento, gerando correria, tumulto e confusão momentos antes de subirem ao palco. Pelas minhas contas, o Prodigy já esteve no País pelo menos quatro vezes. A primeira apresentação, em 98, teve que ser cancelada por conta do desmoronamento do palco do festival – o Close Up Planet – e eles só voltaram no ano seguinte. De lá pra cá, os shows do Prodigy por aqui sempre tiveram um efeito avassalador. Com a palavra, Liam Howlett, do trio fundador deste grupo formado em 1990 em Essex (Inglaterra), que se tornou sinônimo de música de rave. Brasil & Prodigy.

“Acho que o brasileiro é muito festeiro e consegue extravasar sua energia, por isso combina muito com a gente. Nossos shows aí são sempre muito caóticos, as pessoas gostam mesmo de dançar, e acho que isso tem tudo a ver com a gente. Em alguns países, o Prodigy não vai tão bem, se as pessoas são mais contidas, não entendem o nosso som. Mas esse com certeza não é o caso do Brasil. Estamos fazendo bem menos shows do que fazíamos antes, pra poder nos concentrar na gravação do próximo disco, mas um convite pra tocar no Brasil é muito difícil de recusar”, disse o tecladista, na entrevista que fizemos por telefone. O Prodigy toca dia 10, na festa de 15 anos da rave XXXperience, na Fazenda Maeda, em Itu (mais informações em www.xxxperience.com.br).

DUBSTEP É VIDA
“Para mim, a música eletrônica está superviva, e muito disso graças ao dubstep. É isso que considero uma das coisas mais legais da música eletrônica; ela está sempre mudando. O dubstep represent uma nova fase. Acho que o gênero trouxe uma energia nova para a dance music. Eu ficaria muito atento ao (americano) Skrillex, que está fazendo coisas bem interessantes. Por exemplo, está produzindo o novo disco do Korn, e certamente sairá alguma coisa bacana dessa parceria. Pode ser que o dubstep não dure muito tempo, mas será importante para promover uma transmutação na música eletrônica. Não precisamos de artistas ‘fake’ como Britney Spears ou Christina Aguilera fazendo dubstep pra provar que ele é relevante.”
NOVOS RUMOS

“Não pensamos muito em fazer coisas que quebrem paradigmas, queremos fazer nossas músicas, sabe. Sempre quisemos ficar o mais longe possível das fórmulas da dancemusic. Claro que é legal soar atual, mas não nos impomos essa obrigação. Não queremos pertencer a uma nova cena, nem mesmo criar uma. Para o Prodigy, o importante é fazer nossa música soar bem nos shows ao vivo e, claro, manter viva a chama do underground, porque é lá que gostamos de estar.”

SANGUE NOVO

“Acho fundamental trazer gente nova para a música eletrônica. Não acho que rock esteja cumprindo esse papel, então cabe aos artistas de dance music atrair a atenção da molecada. Uma coisa é certa, as pessoas sempre vão querer sair pra dançar em festas em clubes e ouvir música alta. Portanto, sempre haverá espaço para a música eletrônica evoluir. Mesmo que hoje o espaço esteja sendo ocupado por artistas mais pop, o fundamental é saber que há público. Agora é preciso que mais gente interessante bote a cabeça para funcionar para criar coisas boas e relevantes.”

TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO NO ESTADÃO DE SÁBADO, 26 DE NOVEMBRO DE 2011

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A música eletrônica cresceu demais?

segunda-feira, abril 4th, 2011

Lady Gaga enroladinha na bandeira do Brasil - por aqui, ela virou som de boate

A música eletrônica virou o que tenho chamado de um gigante desengonçado. Se por um lado cresceu, virou pop, ganhou espaço e público para lotar estádios de futebol cantando hits como I Gotta Feeling, na outra ponta, perdeu uma de suas principais características, que sempre foi inovar. Pronto, falei.

É só ligar o rádio pra ouvir referências que 10, 15 anos atrás eram novidade na pista de dança entalhadas em músicas de consumo rápido: Lady Gaga, Britney Spears, Rihanna, os rappers Akon, Chris Brown, Taio Cruz, Usher, o ex-underground e hoje superpop Black Eyed Peas; todo mundo usando timbres que já fizeram a cabeça de clubbers no final dos anos 90.

Nunca as “mais mais” das paradas de sucesso foram tão dançantes. Bom para a música eletrônica? Em termos. Em São Paulo, vemos clubes tradicionalmente do “underground” tendo que abrir as pernas para tocar música de rádio. DJs de renome e com anos de estrada estão cada vez menos nos line-ups. Festas com famosos tocando ou então promoters que se metem no som, botando seus iPods pra tocar música pop, estão cada dia mais em alta.

Pode soar como conversa de saudosista, mas tenho saudade de ver as pessoas saindo de casa para dançar levando a música em alta consideração. Hoje o que eu tenho notado é que a música, o DJ, funciona meramente como figuração.

Facundo Guerra, 37 anos, sócio dos clubes Lions e Vegas e dos bares Z Carniceria e Volt, todos na região central de São Paulo, embasa a minha tese.

“Primeiro fato: o pop se apropriou da música eletrônica. Enquanto a nossa geração demorou dez anos pra conseguir distinguir house de techno, a geração que está começando a sair vem sendo educada pela música pop. E hoje o pop tem cara de música eletrônica mainstream”, raciocina. Ele lembra que desde a moda da new disco nada de novo apareceu na música eletrônica (“não dá pra considerar o dubstep, que é muito pequeno no Brasil”).

“Hoje, se você não coloca música pop na pista de dança as pessoas vão embora. No Lions eu vi uma cena que me chocou: o Mau Mau, que é um DJ que todos nós amamos, entrou no som depois do Roque Castro, que fez um set extremamente pop. Sabe o que aconteceu? O Mau Mau esvaziou a pista, coisa que eu nunca tinha visto na minha vida!”, conta.

Como empresário da noite, Facundo está desiludido: “Não penso mais em trazer gringo. Já conversei com vários donos de clube que pensam da mesma forma. A não ser que você traga o Tiësto ou o Deep Dish, trazer DJ gringo só vai aumentar seu custo, não traz mais público”, escancara.

O empresário vai mais fundo na crítica: “A gente está vivendo uma crise na música. A grande questão é a educação musical do público que sai à noite. Mesmo o público gay mais jovem, que sempre foi atrás das tendências, hoje ouve Beyoncé e Lady Gaga. A consequência você sente quando sai. Como os clubes estão disputando o público, ficam com medo de arriscar. Daí entram num ciclo de chamar DJs de pop. Os clubes já não são mais templos de música. São extensões das redes sociais, ponto de encontro. O cara vai na boate pra encontrar aquela menina que ele cutucou no Facebook. A música virou trilha de fundo”, conclui Facundo Guerra.

Há quem não veja a coisa assim. É o caso do DJ Renato Ratier, proprietário do D-Edge, clube em São Paulo que concluiu uma grande reforma no final do ano passado, ampliando sua capacidade de 400 para 950 pessoas.

“Claro que tem muito clube tocando Lady Gaga para sobreviver. Mas no D-Edge não mudamos o conceito musical, continuamos fiéis à música eletrônica. E mesmo assim sempre vejo gente nova chegando”, diz Ratier. “Muita gente critica o D-Edge dizendo que depois da reforma houve uma invasão de um público mais playboy. Mas se o playboy está frequentando e ouvindo música boa, vejo isso com bons olhos. Acho que tem muita coisa pra ser feita, mas não vejo a noite de um jeito pessimista”, diz Renato Ratier.

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Se no reino da música eletrônica mainstream há algo de podre, sempre se encontra vida no underground. Minha dica para quem gosta de fuçar é mergulhar nas novidades do netlabel (selo virtual que distribui música gratuitamente) brasileiro Tranzmitter.

Criado em 2007, o selo já lançou quase 200 faixas distribuídas em EPs, álbuns e compilações. O lançamento mais recente está especialmente bom, é a coletânea Tranzmitter Compilation (Volume 3), que tem novatos extremamente legais, como a dupla Monsters At Work, Richard Savani e L_cio ao lado de veteranos, como o DJ Mimi. Corre lá pra pegar, não precisa esconder de ninguém porque é tudo licenciado pelo Creative Commons, ou seja, tudo dentro da lei: www.tranzmitternetlabel.com

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Dia 7 de abril estreio na Oi FM meu programa Discologia, tocando um mix de coisas do baú e novidades da música eletrônica. Será sempre às quintas, das 23 h à 1 h. Passa lá!

texto originalmente publicado no Estadão, Caderno 2 + Música de 2 de abril

CLAUDIA ASSEF, 36, É AUTORA DO LIVRO E BLOG TODO DJ JÁ SAMBOU E DIRETORA DE CONTEÚDO DO PORTAL VIRGULA

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