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Diva master da disco music, Donna Summer morre de câncer aos 63

quinta-feira, maio 17th, 2012

Sexy, provocante, moderna, dona de um gogó invejável, esta foi Donna Summer

O mundou perdeu um pouco de seu brilho hoje com o falecimento da cantora Donna Summer, maior diva das pistas de dança de todos os tempos. A notícia começou a circular agora à tarde internet afora. Normalmente esses óbitos de famosos são uma informação a mais em nossas timelines, mas juro que quando li sobre Donna Summer meu coração quase saiu pela boca. Não pode ser!

Segundo informações copy-paste da vida, ela morreu vítima de câncer no pulmão e, segundo o site TMZ, acreditava ter desenvolvido a doença depois de inalar partículas tóxicas durante os ataques terroristas de 11 de setembro, em Nova York.

Especulações à parte, sua morte com certeza deixará milhares, milhões eu diria, de fãs tristes. LaDonna Adrian Gaines foi uma mulher à frente de seu tempo. Encarou a missão de quebrar paradigmas. Musicalmente, teve peito para levar às massas as pirações eletrônicas do italiano Giorgio Moroder e abriu caminho para o depois viria a ser chamado de música eletrônica. Se você gosta de house, techno etc. faça o seu minuto de silêncio pessoal a Summer.

Numa atitude à la Gainsbourg, Donna Summer levou o sexo às boates. Tremendamente sexy no visual, ela gravou a proibidona “Love To Love You Baby”, com sussurros e gemidos gravados ao longo de seus 17 minutos de música, isso em 1975. A BBB chegou a contar 23 orgasmos na música. Lógico que a faixa foi censurada em diversos países!

Donna Summer também atacou de atriz, num filme que eu, por coincidência, comprei há pouquíssimo tempo pela Amazon. Em “Thank God It’s Friday”, de 78, ela é uma cantora em início de carreira que estreia cantando “Last Dance”, na discoteca fictícia Zoo. O filme é uma bobagem, mas vale a pena pela performance ingênua da cantora.

Seu legado para a música é imenso e daria pra resumir dizendo o seguinte. Se hoje um ET descesse à Terra e te perguntasse como os seres humanos dançam, você se sairia bem se tocasse “I Feel Love” pra ele. Clássico de todos os tempos, eficiente de batizados às boates mais modernas, é uma frase que eu carrego tatuada no meu braço.

Donna Summer, eu nunca te conheci mas posso dizer sinceramente que vou sentir saudades. Hoje é um dia triste.

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Por que a disco music nunca vai sair de moda

segunda-feira, março 26th, 2012

A dupla Donna Summer e Giorgio Moroder criou o som eletrônico na disco

Hoje o tema é disco music, essa coroa enxuta que está na casa dos 40 anos (e, como toda coroa, não tem idade muito bem definida) e continua ditando moda. Não fosse pela disco, certamente esta coluna, focada principalmente na música eletrônica e no universo dos DJs, não teria razão de existir. Pois foi a partir desse movimento musical e estético que se criaram conceitos que depois seriam usados para formatar a música eletrônica e o hip hop.

Para quem gosta de dance music (o termo costuma ser usado como sinônimo de música eletrônica farofa, mas quero dizer música pra dançar), conhecer a disco music é obrigatório. Do mesmo jeito que antes de saber fazer uma conta de divisão você precisa aprender a subtrair, não dá pra entrar de cabeça na música eletrônica sem passar pelos anos dourados da disco. Ou sempre ficará faltando uma peça.

Nascida na porção gay, negra e latina de Nova York no final dos anos 60, a disco saltou do underground para todos os cantos do mundo, envelopada de diversas formas, na segunda metade da década de 70. Talvez seu ícone mais conhecido até hoje seja Tony Manero, personagem de John Travolta em “Os Embalos de Sábado”, filme que, em 2012, completa 35 anos. Lançado no final de 1977, o longa virou marco da geração que, pela primeira vez na história, levava o hedonismo para a pista de dança e fazia da discoteca a sua igreja. Retratava na telona o nascimento da cultura de clubes, ou seja, do hábito de sair de casa para dançar, um dos vícios mundanos mais deliciosos já criados pelo ser humano.

Antes que venham à sua mente os hinos mais manjados da disco music, sons que viraram trilha sonora de casamento e povoam compilações trash vendidas em supermercados, é bom que se diga que foi durante esse período que se produziram músicas das mais sofisticadas da história da música pop.

Se Nova York foi o palco de experimentações de DJs pioneiros como David Mancuso e Nicky Siano e suas noitadas exclusivas (The Loft e The Gallery, respectivamente), na Filadélfia foi que se produziram os grandes temas dessa geração. A cidade entrou para a história como a principal produtora de som de qualidade, o tal “Philly Sound”, um som classudo, sofisticado, produzido por orquestras compostas por músicos extraordinários, como a MFSB e a Salsoul Orchestra.

 

A música que foi criada para as pistas suarentas dos anos 70 está mais presente do que nunca no nosso zeitgeist. Não apenas no trabalho de DJs que carregam há anos a bandeira da disco music, como faz muito bem o norueguês Prins Thomas, por exemplo, mas também no som de artistas muito mais pop. De Scissor Sisters a Lady Gaga, passando por David Guetta e Madonna, todos vão buscar na disco music alguma coisa para reciclar.

DISCO MUSIC NA BBC

Para entender melhor como se formou esse movimento, o canal inglês BBC-4 nos presenteou com um documentário simplesmente imperdível. “The Joy of Disco” foi ao ar no Reino Unido no começo deste mês (está disponível no Youtube, dividido em quatro partes) e resume, em seus 60 minutos, como foram fecundadas as sementes dessa cena, focando no período de 1969 a 1979.

Lá estão imagens de arquivo de arrepiar, como as cenas de bacanas dançando no lendário Studio 54, o clube de Steve Rubell que botou em prática pela primeira vez a política de selecionar na porta quem tinha o direito de entrar ou não na discoteca. Também há imagens raras dos frequentadores do Gallery, explicando que ali “todo mundo pode tudo e todo mundo é igual”.

Mas a maior riqueza do documentário da BBC para mim são as entrevistas. Estão lá caras que podem ser considerados os verdadeiros pais da discomusic, como os já citados DJs Nicky Siano e David Mancuso, além do italiano Giorgio Moroder, figura importantíssima na criação da sonoridade mais eletrônica do movimento.

Foi ele quem introduziu sintetizadores no som de Donna Summer, transformando a música “I Feel Love” no primeiro hino eletrônico do mundo – a música funciona bem em qualquer pista de dança até hoje, da festa do peão de Barretos até o clube mais descolado de Berlim. Usando as cordas do “som da Filadélfia” e adicionando batidas e linhas de baixo eletrônicas ao som da diva Donna Summer, Moroder criou uma versão mais europeia da disco music.

“The Joy of Disco” também escancara a malícia por trás de hinos que o Planeta inteiro já dançou achando que eram músicas bobinhas, como o übberhit gay “YMCA”, do Village People. Dificilmente as milhares (ou seriam milhões?) de pessoas que já dançaram essa manjada coreografia com os bracinhos formando letras do alfabeto tenham se dado conta de que a música fala, basicamente, da pegação gay no banheiro da ACM de Nova York.

Outro momento emocionante é quando o baterista Earl Young, da banda MFSB, mostra, tocando, como criou a batida clássica da disco music. Um bumbo aqui, uma caixa ali, um prato acolá e, voilá, fez-se a cadência que mexeu e ainda mexe até o mais enferrujado dos esqueletos.
Como o documentário é inglês, também ficamos sabendo como foi a evolução da disco music na terra da Rainha. Incríveis as cenas de arquivo mostrando jovens fazendo os passos super elaborados da Northern Soul, uma cena musical que assolou o norte da Inglaterra no final dos anos 60, início dos 70, e que esquentou a galera para a chegada da disco music por lá.

Está em “The Joy of Disco” também a improvável história da atriz pornô que virou rainha das pistas, Andrea True (falecida em 2011), que entrou para a história com a literal “More, More, More”. Claro que resumir 10 anos de história em uma hora de documentário não é das tarefas mais fáceis. Muita coisa ficou de fora. Mas se eu pudesse indicar uma maneira de entender a disco music com o melhor custo-benefício de tempo da história recente, seria indicando este “The Joy of Disco”. Vale cada minuto.

The Joy of Disco, parte 1 de 4

 

The Joy of Disco, parte 2 de 4

 

The Joy of Disco, parte 3 de 4

 

The Joy of Disco, parte 4 de 4

 

Este texto foi publicado originalmente no Caderno 2 + Música, do jornal O Estado de S. Paulo, em 17 de março de 2012

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Chic toca para poucos em festa fechada em SP

sexta-feira, julho 1st, 2011
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De bandana, mr. Nile Rodgers liderou o impecável show do Chic em SP

Para os desavisados, o Chic tocando ao vivo pode até ser confundido com uma ótima banda de casamento. É tanto hit e são músicas tão incrivelmente conhecidas que é difícil entender que todas saíram da cabeça de Nile Rodgers, o líder do grupo formado em 1975 em Nova York que entrou para a história como um dos compositores/produtores mais prolíficos de todos os tempos.

Além dos incontáveis hits do próprio Chic (Le Freak, Dance Dance Dance, I Want Your Love, Everybody Dance, Goodtimes etc.), Nile escreveu e/ou produziu sucessos para artistas como Sisters Sledge (He’s The Greatest Dancer, We Are Family), Diana Ross (Upside Down, I’m Coming Out), Sugarhill GAng (Rapper’s Delight), Carly Simon (Why), Debbie Harry (Backfired), David Bowie (Let’s Dance), Madonna (o álbum Like a Virgin), além de ter trabalhado, seja produzindo ou tocando com Michael Jackson, INXS, Duran Duran, Hal & Oates, Peter Gabriel, Paul Simon, Cyndi Lauper, Grace Jones, Laurie Anderson, Jeff Beck, Mick Jagger, Stray Cats, B-52′s, Eric Clapton, Bod Dylan, Cerrone, Britney Spears, Joss Stone, Beatie Boys, Basement Jaxx, Snoop Dogg, Lady Gaga…

Acho que é justo dizer que não existe outro currículo musical deste porte na praça. É clichê, mas verdade: Nile Rodgers é uma lenda viva da música!

Na noite desta quinta (30/6), o Chic se apresentou em São Paulo numa festa fechada de firma. Foi a segunda apresentação do Chic no Brasil – a primeira foi no final dos anos 70, no clube Papagaio’s, de Ricardo Amaral.  Uma pena: o show começou tão tarde que pouca gente ficou pra ver, faltou vibe. Faltou dar o valor devido ao artista que estava ali.

Mas não faltou o tesão de Nile Rodgers, que mostrou o que uma postura de músico profissional deve ser: foda, não importa quem estiver na plateia. No caso, salvo alguns poucos que realmente sabiam quem estava ali, um pessoal que, aposto, jurava estar vendo uma banda de covers.

O show começou atrasado, e Rodgers subiu ao palco se apresentando com um: “Eu sei que é tarde, mas vamos nos divertir”. Era bem depois da 1h quando Rodgers conduziu a banda na primeira música, “Everybody Dance”. Daí pra frente foi como se estivéssemos ouvindo um disco de melhores dos anos 70 e 80, ao vivo, só que executado por seu autor. Uma sequência de clássicas: Dance Dance Dance, I Want Your Love, I’m Coming Out, Upside Down, We Are Family, Like a Virgin, Let’s Dance.

Para a apoteótica Le Freak, Rodgers chamou pessoas para o palco. Deixei a vergonha e a bolsa no colo do marido, e parti pra guerra, no palco da festa de firma, dançando como se não houvesse amanhã. Momento mais vergonha alheia foi quando umas loiras já chutadas por vários “bons drink” começaram a cantar no microfone do mestre do funk grunhidos que, acho, sugeriam o hino de algum time de futebol ou algum funk carioca. Pãtz!

O show majestral magistral terminou com Good Times, com Rodgers e suas duas vocalistas incríveis à frente da estupenda banda, agradecendo muito pela presença de nós pobres mortais, àquela altura já arrastando as tamancas fosse pelo avançado da hora ou pela farta distribuição de álcool oferecida pela empresa que bancou a noitada.

Os guerreiros que ficaram até o final, quando o relógio batia mais de três da matina, ainda receberam de bônus um set do DJ Renato Cohen, que estava ali feliz da vida tocando pra meia dúzia, depois que ele próprio já tinha gasto muito a sola do sapato dançando ao som de mr. Rodgers e companhia. Eu não ganhei o super brinde da festa da firma – passagens aéreas para qualquer cidade do Brasil – mas levei pra casa uma palheta entregue pelas mãos do senhor Chic e a certeza de ter vivido uma noite de princesa, mesmo estando num reinado bem distante do meu.

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