Só capa da Época? Rolling Stone e Billboard tão marcando...

A capa acima deixou um povo na internet com muita raiva. Gente, jura? Então um hit sertanejo besta não pode cruzar o oceano e fazer sucesso na China, na Itália ou nos Estados Unidos e cair na boca de celebridades, jogadores de futebol, soldados israelenses, que isso causa ira em cabeças pensantes aqui no Brasil?

O que deixou muita gente espumando foi a chamada da revista Época, que diz que Michel Teló “traduz os valores da cultura popular para os brasileiros de todas as classes”. Acho que a matéria até mirou direito, mas errou o alvo. O que a tal da música “Ai, Se Eu Te Pego” faz é marcar um golaço de simplicidade musical ao atingir o inconsciente coletivo de todo mundo, isso sim.

Toda música tem sua função. E, se você pensar que existe uma enorme quantidade de compositores que se propõem a fazer música pop, pra grudar, o cara que escreveu “Ai, Se Eu Te Pego” foi mega bem sucedido na sua missão.

É o tipo da música que estaciona na sua cabeça e inexplicavelmente fica lá pra sempre, basta uma ouvida. Combina as notas musicais de forma tão eficaz que pouco importa se a letra é uma merda. Você já viu este filme, ou melhor, já ouviu músicas assim. A primeira que me vem à cabeça é a übber pentelha “Macarena”. Você pode nem saber de quem é tampouco de que país veio essa praga, mas sabe cantar, né? Sem falar na dancinha, que você também aprendeu e já deve ter feito ou visto alguém fazer com a gravata no meio da testa numa festa de casamento.

Michel Teló tirou a sorte grande – que também pode se tranformar num enorme fardo, condenando-o pro resto da vida como o cara do “Ai, Se Eu Te Pego” – e emplacou a sua “Macarena”. Aliás, a música nem é dele, foi escrita por uma banda de forró chamada Cangaia de Jegue (amei o nome do cara), e cá estamos, eu e você, pensando nesta pérola – sem brincadeira, no bom sentido mesmo – do cancioneiro popular.

Ainda que não me “represente”, a música do Michel Teló é foda. Minha filha de 2 anos ouviu uma vez e saiu cantando. E nem adianta não ter o CD em casa. Não é uma questão de ter um “ouvido para música sertaneja”. Como eu falei, é uma questão de estrutura melódica que funciona, para todos, apesar de tudo, ainda que sob a tortura de uma televisão ligada no Faustão na visita de domingo na casa dos seus pais.

Tempos atrás, no programa do Jô Soares, Tom Zé tentou defender o hit funkeiro “Tô Ficando Atoladinha”, argumentando que a música tinha um refrão “microtonal”, ou seja, construído entre os micro intervalos entre uma nota e a seguinte da escala musical.

Tom Zé explica a “genialidade” de “Atoladinha” assim: “Trata-se de um achado muito simples. Na repetição obsessiva, ‘Tô  ficando atoladinha/Tô  ficando atoladinha’, a cantora não muda diatonicamente a nota musical: num crescendo insistente, vai subindo obsessivamente quartos de tom, como a própria excitação e aquecimento do assunto requer. Ora, uma peça tão bem achada chama a atenção e põe em questão todos os refrões e toda a arte de compô-los. Portanto, quando se acusa o meu ‘Estudando a Bossa’ de ser influenciado pelo funk carioca, não se trata de uma aberração: em aspectos mais profundos e em momentos de exceção, o funk tem laivos criativos tão altos como a bossa nova”.

Não vou sair dizendo que a música do Michel Teló é microtonal, nem saberia identificar isso. Meu ponto é outro. É entender esse hit, gigante e passageiro, como outros tantos. Tem gente dando importância demais pra isso. Listei abaixo outras 10 músicas que têm o mesmo tipo de pacto com o capeta, pra fazer uma comparação do poder de hipnose:

Kaoma – Chorando Se Foi

Snap – Rhythm Is a Dancer

Latino – Festa

Los del Rio – Macarena

Las Ketchup – The Ketchup Song

Luka – Tô Nem Aí

Tarkan – Kiss Kiss

Carrapicho – Tic Tic Tac

Lou Bega – Mambo No 5

Tiririca – Florentina

Quem sou
  1. gringao disse:

    Oi galera…só deixar minha visao.

    Concordo com a gente que ta afastada ja de ser tildados de invejosos, contrabrasileiros, o qualquer babaquice mais desde a corrente principal por criticar o sobre-sucesso do cansativo “Ai se eu te pego” (pega ela ja, a ver se deixa vc fazer algo mais…)…ainda mais, manipulada na discussao a inversa pelas normas do mercado mais sujo e patético (“se vc nao gostar nao ouça”…ja é), tem que ter a razao do que é o nao deve ser pra a “majoría”, ou diretamente pra a inercia das coisas.

    Pero esse discurso cae cedo e contundente pela gravedade…Cultura brasileira, e cultura musical brasileira, é muito mais que isso.

    É engraçado que precisamente o autor do texto utilice o exemplo da Macarena dos Del Río, porque eu sou espanhol…onde a música do Teló fez um sucesso da nada a través da merda TV popularizada pelos jogadores do Real Madrid (Ronaldo…) e a mídia típica e tópica, repetitiva e pobre demais.

    O problema nao é que seja o tenha cheiro de brasileiro (os espanhois tb temos muito compleixo do proprio…), de popular como ou “pseudo-sertanejo”…sino tuuuuudo ao contrario…precisamente é criticável sobre tudo porque é um produto bastardo, emulador, falsario, manipulado, que mastica a autenticidade do popular (o até vulgar demais) (pode ser sertanejo, forró, funk carioca,samba de roda, ritmos afrobrasileiros…mesmo da…(nem samba auténtica é realmente exportada ao mundo)), prefabricado primeiro no Brasil, pra universitarias brancas guaponas de bom bairro, e daí pra o mundo idiotice de clase media-alta consumidora da MTV e radio-fórmulas ao derredor do globo…

    Efetivamente…é como um Elvis Presley (bom, seus fornecedores) roubando o Rock and Roll aos negros e vendendo ele pra os USA brancos e o mundo…MERDA de mundo entao.

    Por todo isso é lixo, e a capa da Época mostra o que dorme embaixo de todo: compleixos culturais, manipulaçoes de mercado e lavados da cara “popular”, industria musical da pior especie, sociedade de consumo sem criterio, e um fascismo ou racismo de clase mal camuflado…vcs ten que saber se querem ou nao participar de isso. Pra mim o sorprendente é ver tanta defensa de um produto assim entre os proprios brasileiros…

    Ja sabem, ao final, Brasil acaba sendo no mundo, futebol, carnaval, mulata samba e coisas asim…(bom, e agora tb superpotencia en crescimento com a que poder especular…ou jogar económicamente pra levarla ao mesmo buraco que a Europa ou os USA)…quando, amando seu país e suas gentes como eu amo, devería ser muiiiiitas mais coisas diferentes…e bem mais libres, ricas e variadas…como o proprio Brasil é.

    Certo é algo no analisis do autor, que lembra que as vezes é simplesmente música, con essa genial simplicidade do “pop” pra dançar o festejar….pero acho que a cultura musical brasilera tem miiiiiiles de artistas e músicas igualmente populares e que sao puro engrudo pra os ouvidos, pero muito mais auténticas e boas musicalmente, que nunca sairáo das fronteiras, nem vao ser vendidas como a Coca Cola brasileira…ainda tendo muiiiiito mais valor tb popular e cultural.

    É isso o que, personalmente ao menos, me resulta enjoativo, triste e decepcionante.

    ¿Vcs acham que a cultura musical (popular ou nao) espanhola se reduce a Alejandro Sanz, Los Del Río (os autores da Macarena), ou Julio Iglesias?

    Afortunadamente nao,…pero ¿alguem sabe ou ten aceso a todo o resto fora ( e muitas vezes tb dentro) do país?

    Ao final os medios de (in)comunicaçao foden muito mais do que oferecem em positivo, de oferta, variedade, espço e tempo pra todo@s os gostos…e quando estas coisas,…(ou uma versao patética pra o 2012 da Lambada made in Jennifer Lopez ou Pitbull) é o que se logra na imagen geral da cultura musical brasileira fora do país (ao menos nos mass midia e pra a majoría da gente)…os anjinhos do ceu choram de vergonha…porque realmente um mundo e um Brasil asim é uma bosta enorme.

    Uma curiosidade sobre os ouvidos mais lá das frontras do brasileiro e os brasileiros…O ano pasado, um coletivo cultural entorno a música (Mochilla), fez uma homenagem incrível com um show com orquesta na California, uma delícia editada em DVD…a uma das figuras musicales brasileiras dos 70, posivelmente mais esquecidas pelo imaginario (importante pra a música negra, o jazz e funk soul)…Artur Verocai. Madlib, o produtor estadounidense, e outros tantos, han utilizado a obra de Verocai como um referente e han inspirado e sampleado muito de ele…(tb de Azimuth, Hemeto Pascoal, etc), e a repercussao,…é mais, incluso o conhecimento no Brasil de essas figuras, é anedótico (pasa em todas partes com a música mais “seleta”…isso é asumido)…Em qualquer caso, da pra mencionar, ter em conta nos midia, e reconhecer o mérito e o reconhecimento que uma figura brasileira tem fora do país. Vcs sabem que com certeza nao foi assim, e ninguem falou uma merda no Brasil de estas coisas…como tampouco do Marcos Valle, ou Sergio Mendes (incluso facendo discos com super-pops como Black Eyed Peas).

    Mais incluso! quando se exporta uma imagen do “brasileiro” por definiçao…vcs acham que na Europa se conhece bem como popular de calidade que podem ser, a Zeca Pagodinho, Baleiro, Bezerra da Silva, Cartola, Martinho da Vila,….ja nem os clásicos da MPB ou a Bossa mais burguesa pra europeos sao reconhecidos fora de certa élite…e a gente acaba conhecendo apenas os Tribalistas (nem realmente a obra funk 80 de Brown, ou um mínimo da exquisita obra de Marisa Monte…)

    É culpa de todos e de ninguem,…eu sei…é um mundo absurdo, compleixo e simples…pero me entristece muito, e é normal que muita gente se afaste, chatee ou enjoe, e fique puto por todo o que representa a musiquina do Teló…nao é difícil de entender.

  2. gringao disse:

    Ah…mesmo no argumento que eu falava, estive rastreando as versoes originais do Dyggs…e com certeza!…baixo a forma de cualquer versao, podem ser bem melhores, mais creíveis que a “exportada”…Sao música popular auténtica, simples e pop, num ritmo mais funk, máis acústico, más nordestino…é mesmo, pode ser música fácil, pero é REAL…e disso é que eu falava…

    ¿por qué nao pode ser exportada assim, mesmo sendo um tema fácil pop? ¿O importante nao era a essencia da música simples como tal?…por qué esso nao faz sucesso nacional tampouco lá, no seu formato original e real? ¿É popular “demais”?…¿por qué grandes compositores bem populares de estilos populares tem que ser vendidos embaixo de uma máscara diferente, menos creível, menos auténtica e interesante musical e culturalmente?? ¿E por qué ademais nao podem ser exportadas tb outras muitas coisas?

    A resposta sae na capa da Época…e é política pura…os mercados sao um refleixo da sociedade. A música, simples ou compleixa, popular ou elitista,…podería ser o de menos.

  3. dirceu rodrigues disse:

    é normal invéja e dor de cotuvelo…..

  4. Mark Andrews disse:

    Baralho. Se fosse funk não faria este sucesso todo.
    Primeiro de tudo Sertanejo Universitário é um hit feliz, aos meus ouvidos é uma mistura de funk e axé com violão, ou sei lá o que. Enfim, não é o mesmo que Sertanejo.
    O problema é que quando este Sertanejo Universitário é tocado na televisão brasileira, principalmente na Globo, ele acaba persuadindo a cabeça de muitos. (ainda bem que existe o programa do Raul Gil pra adoçar um pouco). Agora cá pra nós, a letra do hit deste artigo é um… bosque. E tem muitos funks (que por sinal são descriminados pelo excesso de más produções) já foram reaproveitados no Sertanejo Universitário e fazem o maior sucesso também. (Vocês irão lembrar).
    Não cantaria pra minha filha nem canto “Delícia, Delícia. Assim você me mata. Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego”. Mas a porra das rádios e da televisão tocam o dia inteiro. Tanta música boa pra promover e vai subir logo uma “Macarena brasileira”. Antes fosse (na época ainda, snif) “Se ela dança eu danço” (MC Leozinho), do “Do leme ao pontal” (Tim Maia). Mas nãaaoo. Tem que ser o bunitinho do Michel Teló (você não Luan, sai…) Meo deos, não é a toa que a mulherada “de todas as classes” (como diz capa da revista) anda soltando a franga e virando o jogo e a machaiada dando as costas. Se deixar levar por essa música éh um óh.
    Força gente, Victor e Leo, Djavan, Almir Sater, Ana Carolina, Revelação, NX Zero (ops) mais um monte anda sumido por aí. Estou até sentindo falta de alguns aí. LOL . Mas sério, muitos artistas bons (veteranos e novos) estão “barrados” sem espaço para promover suas músicas, ora o ouvido do público está mal acostumado. A imprensa e a televisão também ajudam a desprovê-los.
    Sou bem eclético, mas de preguiça, sertanejo universitário está fora da minha lista. Prefiro o funk e funk melody, pois a grande quantidade de lixo sonoro no Sertanejo Universitário exorbitou.
    Acrescentando! Por incrível que pareça, das 79 mulheres de 120 que eu e mais 7 colegas entrevistaram no qual classificamos como bem sucedidas no trabalho, lindas e inteligentes, disseram não curtir muito o “Ai se eu te pego”. 33 disseram não gostar e APENAS 8 confirmaram que gostam e cantam ao vento. ééé… essas com certeza devem ter pego o cargo só pela beleza. huhauahuahaua
    A entrevista foi feita em cima de várias músicas, mas o resto do placar vai pro artigo da nossa revista. Finalizando, espero que esta lancha de música sertaneja brandeie um pouco para dar espaço aos outros estilos. É necessário equilíbrio em tudo nesta vida, como a minha língua, Ai se eu te pego também já passou dos limites.
    OBS.: Se fosse boa eu não reclamaria e sim aplaudiria!!!
    Mandem críticas negativas ou positivas, o debate promove o consenso!
    Um abraço a todos e apoiem o que é bom pessoal, porque de merda o Brasil tá cheio.

  5. douglashernandes disse:

    acho uma musica simples , e a musica que o povo gosta e pronto ja era abaixo a inveja do povo que nao gostou ninguem e obrigado a escutar , fato e pronto ..

  6. Léo Quadros disse:

    Bom galera,

    Apenas para expressar minha opinião sobre o assunto.

    O sucesso de algumas pessoas sempre provoca e traz a tona os sentimentos mais sinceros dos incapacitados, a inveja e a raiva, e assim eles não conseguem esconder oque sentem e, se expressam abertamente criticando e apontando defeitos que só no contexto deles próprios é que existem.
    E o mais engraçado é o seguinte, que no final das contas eles próprios que criticam estão ajudando a promover cada vez mais o sucesso em questão, pois é como diz o ditado, “FALEM MAL, MAS FALEM DE MIM”, afinal enquanto estou sendo criticado estou na mídia, na boca do povo, nas rodas de discussões, e por aí se vai. Exemplo, até eu que sou músico e valorizo o trabalho do Michel Teló por saber o quanto é difícil divulgar o trabalho e alcançar o tão almejado sucesso, tirei um pouco do meu tempo de trabalho para expressar aqui minha opinião sobre o assunto. No final de tudo estamos todos ajudando a promover o trabalho dele.
    Parabéns aos que criticam e, por favor conheçam meu trabalho e me critiquem o quanto puderem, (HAHAHAHAHAHA) “FALEM MAL, MAS FALEM DE MIM O MÁXIMO QUE PUDEREM”.

    Um forte abraço a todos e, que Deus os abençoe.

    Léo Quadros

  7. Davi disse:

    “Tudo se resume em uma coisa! Inveja!
    Se fosse um estrangeiro cantado lalala ohohoh, a musica inteira, essa mesma classe merdia que queria ser americana tava elogiando! Isso é que me mata de vergonha nesse pais!”

    Nooossa senhora. É ISSO que te mata de vergonha nesse país?

    Não, se fosse um estrangeiro, quem gosta de boa música não estaria com inveja. Só seria uma OUTRA música ridícula, mais distante do nosso dia a dia.

    O que me mata de vergonha nesse país é gente que acha que porque dá dinheiro, é bom e acabou, e quem não concordar é invejoso. NEM TUDO É DINHEIRO. E SUCESSO hoje é ser popular para as massas, por conta do hype e jabá. Mais profundo e diferente disso é ter uma carreira musical sólida, relevante e bem sucedida, que não vai virar pó em 1 ano.

    Grudar na cabeça também não é critério pra definir qualidade de nada, muito menos de música.

    As pessoas entraram nessa de “deixa cada um fazer o que quer, ele é que tá certo, tá rico. Cada um faz o que quiser”. E agora, não se pode mais ter um debate crítico sobre nada e a reflexão sobre as coisas não existe.

    Sinto amigos, mas não gostaria de estar no lugar de Michel Teló e ser rico fazendo o que ele faz.

  8. Leônidas Costa Andrade disse:

    Faltou listar entre as grandes obras de arte, “aonde a vaca vai” do João da Praia e “eguinha Pocotó” do Serginho com sua Lacraia, tão belas obras de arte quanto a tal de “ai se eu te pego” da Sharon Acioly (há controvérsia) interpretada pelo brilhante ganhador de vários prêmios nacionais como o troféu Domingão do Faustão, o Erudito Michel Teló.

  9. Vinicius Silvano disse:

    O post é antigo mas gostei hahahah, faz sentido, tem músicas que mesmo a letra sendo ruim, tem alguma ‘coisa’ muito bem feita nela que faz o ritmo grudar na sua cabeça… como por exemplo os jingles de candidato, ouço esses dois até hoje, 2 meses depois da eleição já ter passado http://www.youtube.com/watch?v=AFTr-Ksp0hM

    http://www.youtube.com/watch?v=xFteR9g-W6k
    essa o cara pegou a formula da própria música do teló, mas ta valendo

  10. Paulo disse:

    Trata-se da estética da classe C. Para quem lutou uma vida inteira para traze-los para a luz, achando que iriam civilizar-se e adotar os costumes das classes mais esclarecidas sobra agora a triste constatação de que eles trouxeram sua estetica com eles e por serem em numero muito maior, impoem seu gosto (mau gosto?).