Minha amigona Elka Andrello tem muita história pra contar. Lá por 2004, 2005, a gente ferveu muito aqui por Sampa, saindo quase todas as noites. Foi uma fase intensa, linda, em que o ficou de mais forte pra mim não foram os DJs que a gente viu, as festas que a gente frequentou, mas a amizade que a gente construiu. Pra ela, esta fase terminou com uma resolução: tirar um tempo para meditar no Templo Budista de Três Coroas (RS). Eu mesma fui levá-la ao aeroporto. Ela me deu um abraço forte e disse: “volto daqui a uns meses, bizinha”.

Esses meses viraram anos, a meditação foi animada e desse período em Três Coroas veio a verdadeira benção da vida minha amiga, a Grá (pelo menos agora que sou mãe, acho que é essa a maior droga de todas: o amor incondicional). Não contente com tanta coisa por que passou, a Elkinha, que é uma pequena gigante, foi mais longe. Bem mais longe: se mudou com a Grá pro Nepal.

A história dessas meninas daria um livro fácil. Enquanto isso não acontece, você pode se deliciar com o blog da Elka, Tashi Delek.

Entre as aventuras, teve uma em especial que eu pedi que ela relatasse aqui pro Todo DJ. A primeira Parada Gay do Nepal. Dá uma olhada no que deu, o texto é da própria Elka:

Kathmandu ferveu com a Primeira Parada Gay do Nepal. O país que é conhecido por abrigar o Evereste e templos hindus, abriu alas para uma massa de gays, lésbicas, transexuais e simpatizantes. A parada foi acompanhada por um elefante carregando uma bandeira nas cores do arco-íris e uma banda que tocou desde músicas regionais até Shakira. O babado aconteceu na principal avenida do país, onde as bis sacolejaram montadas com saris coloridos e roupas típicas usadas pelas mulheres nepalêsas. Tudo na maior alegria e respeito. Babado forte!

A matéria completa vai sair na próxima TPM. Tô louca pra ler desde já. Enquanto isso, fico com a saudade da minha amiga e com essas fotos incríveis. Te amo, bee!

A Elkinha é um fervo até no Nepal, gente!

Quem sou

Esta semana chegou na caixa de correio de casa um canudo de papelão. Vi que era do Ghostly International (selo que é sinônimo de boa música nova dos EUA), mas como tava no nome do Dani, esperei que ele abrisse. “É o disco novo do Matthew Dear”, ele disse, me mostrando esse objeto que você vê abaixo:

Oi? Isso aqui é um disco?

É isso. Veio nesse cano um pedaço de plástico estilizado com um bilhete: parabéns por ser ousado

Entendi a novidade. Discos estão fora de moda, e o selo resolveu vender a música no formato físico meio que de sacanagem, sem nem sombra de semelhança com alguma mídia que você já tenha comprado para consumir música. Achei interessante, uma forma de dizer “foda-se o formato”, sei lá. Achei bonitinho até que perguntei o preço da gracinha. US$ 100. Pera, US$ 100?! Oi?

É que foram feitas só 100 peças. Tá…

Acho que é a primeira vez que escrevo sobre um lançamento de um artista que eu adoro sem nem falar sobre a música. Black City, o álbum, foi lançado nos formatos tradicionais (CD, LP, download) também. E neste totem que custa cem doletas, como faz pra ouvir, você deve estar se perguntando? É simples. Tem um código na base da peça, você vai no site e baixa o álbum. Dá pra ver uma das peças sendo confeccionadas aqui neste vídeo

Em tempo: o disco é muito bom! Dá pra baixar a faixa Solid to Speed de graça aqui

Quem sou

Jean Benoit Dunckel e Nicolas Godin, do Air, atração do Natura

Enquanto os festivais SWU e Planeta Terra batalham pela atenção – e pela grana – do público mais ligado em rock, os fãs de música eletrônica que quiserem ver atrações bombásticas no Brasil neste segundo semestre devem ficar é de olho na programação de clubes e raves.

Quem tem saudade do Skol Beats e de outros megaeventos eletrônicos  que sumiram do calendário brasileiro agora deve prestar atenção à grandes baladas a céu aberto. As raves de hoje se profissionalizaram e passaram a investir numa diversidade enorme de artistas em seus line-ups. Dois bons exemplos são a Tribaltech, que rola em 21 de agosto, e a XXXperience, marcada para 14 de novembro. Ambas vão transformar a Fazenda Maeda, em Itu (também local do eclético SWU), em festivais de música eletrônica com espaço para várias tendências.

Rave que virou festival, a Kaballah está marcada para 25 de setembro e vai levar à fazenda Cana Verde, também em Itu, a banda canadense de rock eletrônico Crystal Castles, que eu adoro, além de outros nomes legais, como a dupla Pig & Dan (da Inglaterra), Timo Maas (Alemanha) e Claude Vonstroke (EUA).

Entre os festivais que vêm por aí, deve rolar replay do Smirnoff Experience, que ano passado trouxe os ótimos James Murphy & Pat Mahoney, John Tejada, Yatch e Derrick Carter.

Enquanto o pessoal da vodca não confirma nada, um novo evento, o Fourfest, já anunciou um nome de peso: vai trazer um dos melhores projetos que fundem música eletrônica e rock do planeta, o Caribou.

Tocado pelo canadense Daniel Snaith, o Caribou lançou este ano Swim, um disco lindo e de personalidade forte. Apenas o show de Snaith já valeria o ingresso (de R$ 70 a R$ 120), mas a organização deve confirmar outra atração internacional em breve. O Fourfest ocorre dia 27 de outubro, no Clash Club, em São Paulo.

Ainda entre os festivais, vale o ingresso o Natura Nós About Us, que vai trazer, finalmente, a dupla francesa Air ao Brasil.

Desde que Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel se juntaram para fazer música, em 1995, não há playlist sofisticado de música eletrônica sem o Air. O Natura Nós ocupará, dias 16 e 17 de outubro, a Chácara do Jóquei, em São Paulo, e ainda tem no cardápio Snow Patrol, Jamiroquai, Céu e Bajofondo.

No escurinho dos clubes. Se você não está nem um pouco a fim de enfrentar as multidões dos grandes eventos, mas faz questão de dar aos seus ouvidos um pouco de discotecagem gringa, os clubes de São Paulo não vão deixá-lo na mão neste segundo semestre.

A maratona de boas atrações começa hoje, com o set do incrível Dimitri From Paris na Pink Elephant. Nunca fui ao clube para poder recomendar, mas já vi Dimitri tocar algumas vezes e posso dizer que vale muito a pena. é um mestre na arte de misturar velharias e timbres bem festivos de house.

Ao longo de seus sete anos de São Paulo, o D-Edge já trouxe quase todos os nomes mais importantes do mundo eletrônico pra cá, além de ter figurado em revistas como um dos clubes mais bacanas do planeta. Nos próximos meses, quem gosta de batidas eletrônicas de qualidade deverá ser atraído pela casa noturna da Barra Funda, que promete abrir nova área, após longa reforma. Eu mesma não vou perder a apresentação de Jeff Mills (17 de setembro), um dos nomes mais importantes e históricos do techno mundial.

Além dele, o D-Edge tem na programação Green Velvet (27/8), Derrick Carter (20/8) e Henrik Schwarz (26/11), entre uma lista enorme de gringos. Já no novato Lions, que abriu em fevereiro, o destaque é a apresentação da dupla Optimo, em 10 de setembro. Na Bela Vista, o Hot Hot comemora um ano de vida com os ótimos Sascha Funke (27/8), da Alemanha, o belga Aeroplane (9/10), e a bombástica Faze Action (16/10), banda de disco music formada pelos irmãos ingleses Simon e Robin Lee.

Ou seja, tão cedo não vai faltar desculpa boa para sair de casa.

CLAUDIA ASSEF é AUTORA DO LIVRO E DO BLOG TODO DJ Já SAMBOU

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